Segundo plano

Aguardando a liberação da segunda cirurgia na carótida direita e já a 4 % de possível digamos ” perda” do hemisfério cerebral correspondente, escondendo da família a real situação e com sobressaltos noturnos e diurnos de vir a ser vegetativa procurei ocupar a mente com histórias de mulheres que se deixaram ficar a ” sombra” de seus respectivos maridos, amantes seja qual for o desígnio de seus abjetos adjetivo ou substantivos. Isto porque estava assistindo a série Genius -a história de Albert Einstein e quem teve a oportunidade de ve-la viu uma física inteligentíssima dando palpites ou conclusões a equações ” estratosféricas” vindas daquela mente brilhante ate hoje inigualável ou a via mexendo uma panela com uma criança puxando a saia e a outra em outro braço ainda abrir o forno e opinar: não concordo, tente por este ” prisma” ou vertente Ele ia e chegava cada dia mais próximo a sua gloria. Ele a deixou, apareceu outra e depois outra.( Homens continuam assim procedendo)Foi levado aos píncaros da glória e fama. Ela em nenhum momento foi mencionada nos trabalhos científicos. A ele coube toda a referência. A ela a educação dos filhos em todos os sentidos . Aí vejo Beauvoir, admirada e inteligente e ainda assim em uma relação doentia com Sartre cuja filosofia é extremamente questionável. Ela é muito melhor do que ele filosofando ou não.Deparo com o casal Curie quem devo honorificar a ele por exigir ao Nobel que a reconhecesse( como reconhecer a inteligência em mulher?) , Chego a Camile Claudel ” a assessora de Rodin” , olho os traços de delicadeza advinda da mulher. Observo a criatividade de um escultura dela que ele refez, ficou famosíssima e quem geriu, pariu a escultura foi ele, Rodin. Fora outros inúmeros exemplos procurei ocupar o meu percentual estreito de chance com não as literárias, cientistas , artesãs, artistas e sim com a nossa condição feminina. Os tempos mudaram muito mas o vivido traz a subserviência como forma de ” manter ” o status quo”. Por imensuráveis vezes não se dá conta de uma sensibilidade em receber um convite para uma peça de teatro. As idéias desenvolvidas pelas mulheres nos eram ( ou são?) Inerentes pela persistência, cuidado com os detalhes e a incansável luta em ” fazer dar certo” .A ideia tem de ser certa! Merecidamente tem! Madrugadas se sucediam, os olhos fixos no paciente, em sua respiração . As noites eram eternas e eternizadas as vezes para espantar o sono cantarolando Smile. Bem próximo, observo ainda hoje o ” melhor não mexer em nada” para garantir a manutenção da família ou a família( louvável, dignificante e lindo mas o trato digestivo todo está em carne viva) Imagine ousar algo quando serão afetados as cifras e os cifrões? De forma alguma , preferível as sessões intermináveis de psico alguma coisa fazer um exercício físico que não é feito porque tudo doi( somatizar dói ) e assim caminhamos , muitas, incontáveis ” segundo plano” ( na verdade nem podem se-lo ) mas é importante a aparência que assim caminhemos. E as esferas sociais são as mais variáveis e possíveis . A ” ótima” faxineira passa o dia se queixando ” dele” , escuto o escuro da mente dela e caio feito um raio com a pergunta: porque? Porque permanecer em uma relação que só lhe traz tristeza, frustração, compulsão por comida, por um acaso ” aquilo” é satisfatório ( aí eu entenderia a parte hormonal) .Nao não é . Há tempos que … Não . Então? Dinheiro? Não não é , não me dá nada eu me mantenho. Então você é masoquista. Que é isto? Pronto lá vai explicar a uma mente cuja bondade é linda em se ver e enxergar uma relação sado-madô. É um tema complicado mas compilado creio chegarmos a dois opostos: as que não têm e sequer precisam de expor ” relações duradouras e não finitas” ( custe a que ou quem custar) e as que independem de te-la para serem inteiras ( também não sem sentir a vontade de um afago e uma relação inteira e agradável) mas nunca nunca ” secundária” a status social ou de socialite ( esta coisa de ser casada me faz bem) ou os bens materiais prevalecem ao meu plexo solar absolutamente destruído , ou a uma vida presa a fantasias de que amanhã será diferente ( os anos tão que passam) ou aquela sensação de que só serei inteira quando chegar ” a metade” ( ainda esta história , haja paciência) ou deixar-se levar pela parte hormonal que satisfeita fica o que? Um nada mais vazio que o anterior. E chegamos aos velhos jargões: não consigo ficar só, não suporto a solidão, e tudo continua a mesma com a mesmice inerente a mentes já doentes de si mesmas. Em tempo: todas regras têm exceções .

Autor: betaniasemh

Professora universitária pela UERJ e médica do Hospital Federal Cardoso Fontes/ Rio de Janeiro duração : 35 anos aposentada 65 anos. Solteira, sem filhos. Viagens, arte, música e escrever são minhas predileções atuais não deixando de forma alguma a medicina agora como um fator de ajuda a necessitados. A paixão por escrever sobre os mais variados assuntos me moveu até aqui.( Ler é vestir a alma, escrever é despi-la) Resido atualmente na região serrana do estado do Espírito Santo na cidade de Santa Teresa colonização italiana e alemã.

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