Perdas

Perdas

Acumulamos perdas na vida . Perdas são regras na vida de qualquer um de nós . A única regra de perda que não tem exceção é a da morte. As demais indubitavelmente, têm exceção como toda regra.
Foi a maneira mais lógica que pude passar a uma pessoa próxima que perdeu a avó . Perdas deste gênero são doídas demais . Não há palavras para transmitir algo a mais do que a mais absoluta solidariedade porque obviamente é um sentimento tão único, profundo, devastador dentro de nós que ninguém pode dimensiona-lo
As pessoas que lidam com medicina têm esta visão muito próxima quase diuturnamente e tentar passar a emoção deste evento aos familiares é de uma dificuldade ímpar . Os olhos das pessoas, a interrogação ,suspeita, revolta, descrédito o que se lê neles é de uma infinitude de sentimentos que torna- se quase impossível tentar convencê-las por mais próximo que estivesse a perda.
Imaginar que sendo assim uma vida, em corredores frios de hospitais, venhamos a encarar nossas perdas com mais aceitação é utopia.
Muito embora existam pessoas que não demonstrem elas calam o nosso interior.
Existe um absurdo de dor, um absurdo de inconformismo e o pior a íntima credulidade de uma onipotência que nos é puxada exatamente neste momento.
Resulta que uma vez que de nós dependam providências, caminhos e soluções caminhamos junto aos mais próximos com uma febre similar a de pneumonia , agasalhadas para encobri-la e rumar levando sempre a impressão de que não foi feito tudo , faltou algo?
Na vida, às perdas, se contrapõem os incontáveis ganhos.
Não a perda física .
Não há exceção .

By Betania Dalcolmo on September 19, 2016.

Autor: betaniasemh

Professora universitária pela UERJ e médica do Hospital Federal Cardoso Fontes/ Rio de Janeiro duração : 35 anos aposentada 65 anos. Solteira, sem filhos. Viagens, arte, música e escrever são minhas predileções atuais não deixando de forma alguma a medicina agora como um fator de ajuda a necessitados. A paixão por escrever sobre os mais variados assuntos me moveu até aqui.( Ler é vestir a alma, escrever é despi-la) Resido atualmente na região serrana do estado do Espírito Santo na cidade de Santa Teresa colonização italiana e alemã.

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