A certeza dentro da dúvida

Assim sigamos. Vem a intenção de voltar ao Rio. E imediatamente questiono o porque. E imediatamente vem a indubitável resposta: no Rio com bala perdida ou achada eu sou inteira, isolada ou não pelos filhos que não tive mas criei, amparada ou não pela temeridade em viver em uma cidade na qual a única certeza agora é ou continua a ser: linda, cativante e absurdamente envolvente . Quando assim ousamos decidir vem a dúvida que acompanhou uma vida:  alí , se volto para casa não sei. Só sei que no momento e ao momento tenho de ir.

Voltar agora seria um pouco diferente. Não existem mais horários a cumprir ou fazer cumprir. Existe a íntima relação entre si mesma e as escolhas momentâneas a fazer: municipal? cinema ou teatro? Jantar em um bom restaurante , qual vinho?

Pode parecer fútil mas para mim que ali sofri todos os dissabores em ser uma mulher e toda a glória em se fazer mulher é e continuará a ser desafiante e encantador .

A proposta a voltar seria para o Leblon.  Bom eu não teria de levantar cedo para esperar o sorriso do lagarto. E  sim para apreciar um nascer do sol com os devidos cuidados em uma cidade desordenada em ambientalismo , ocupação empírica de locais onde ainda deveria estar a mata atlântica e as pessoas que as habitam envoltas e envolvidas no afrodisíaco poder das drogas e o seu valor como pessoa medido pela grossura de seu cordão de ouro ou mais recentemente por seres “ oriundi” que se denominam “ cantores” e lançam o que nominam de “ música” enaltecendo o machismo animalesco de pegar “ putas”, violenta-las e larga-las  em alguma rodovia ou rua pública e adicionarem a esta bestial e segregada imbecilidade o nome de ‘ surubinha de leve” e mais ter 14 milhões de visualizações !

E eu achando que poderia falar de flores.

Vou pensar se volto apesar da suruba inconteste de valores humanos, animalescos de sucesso  por serem frutos tecnológicos, financeiros e a vontade de ser notoriedade nem que seja “na surubinha e de leve”.

Imbecilidade que seja e é presente em se dedicar a ser uma profissional de sucesso ou não mas cônscia de si , sendo muito mais  compensador quando compomos uma” ‘ surubinha de leve” ou aplicar uma “coxada” bem aplicada ou passar-se por um ser ingênuo e sacrificado e sacrificando-se para viver,  fazem mais efeito ao bolso do que estudar, se dedicar e alertar .

Sigamos

Optar pela tranquilidade ou o desafio em viver no e em Rio , com o por ou nascer do sol.

Com a delícia  doce “do dolce far niente “ da aposentadoria apreciando o ser carioca ou morrer por achar uma bala perdida.

Pensemos

Autor: betaniasemh

Professora universitária pela UERJ e médica do Hospital Federal Cardoso Fontes/ Rio de Janeiro duração : 35 anos aposentada 65 anos. Solteira, sem filhos. Viagens, arte, música e escrever são minhas predileções atuais não deixando de forma alguma a medicina agora como um fator de ajuda a necessitados. A paixão por escrever sobre os mais variados assuntos me moveu até aqui.( Ler é vestir a alma, escrever é despi-la) Resido atualmente na região serrana do estado do Espírito Santo na cidade de Santa Teresa colonização italiana e alemã.

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