Por quem os sinos dobram

O dia passou rápido mas o título deste filme antiqüíssimo rondou minhas tarefas, semeou sementes, trouxe a virtuose necessária a desenvolver um texto embasado em situações cotidianas .

Não me recordo do enredo deste filme . Creio até que não o vi mas suponho ser sobre amores impossíveis ou com finais infelizes que nos fazem sair desenganados da sala de projeção .

Pelo menos comigo se tornam momentos de pura e genuína tristeza.

Na atual conjuntura conturbada em todos os parâmetros e medidas com inversão de valores éticos e repassados com repressões e fundamentados em formar homens e mulheres de caráter ilibado poderia afirmar com a tristeza maior que o final infeliz de um filme que foge, na atualidade , qualquer valor de moralidade a muitos que nos cercam e criam em nós imagens como os atores e desempenham o papel que lhes convier ao instante , a ocasião, ao interesse.

Tem sido assim com várias novas personalidades que vivem por perto.

Quando coloco o termo personalidade eu o faço com ironia , uma ironia que o destino traça e traz quando quer e como quiser.

Ora dirão: isto é vida.

Pode ser sim . Aliás deve ser. Dentre estudar e trabalhar muito , ser consorte de um alguém e achar motivos para submergir a catástrofe que acontece em vários instantes em nossa vida ainda restou e resta uma fé em seres humanos que de tão lindos em postura, dedicação e amizade nos leva a acreditar e afiançar a eles a honra de dedicar-lhes algo enorme como amizade e confiança.

Pode parecer infantil mas há muito deixo julgamentos passar ao largo. Que o seja .

Talvez por isto gostassem tanto de mim , pelo que representava de autenticidade e ouso dizer até mesmo pureza no linguajar , na performance diante de plateias continentais.

A cada dia um pedaço de uma menina que nunca matei se desmorona. Os que se dão ao trabalho de ler poderá vir a pergunta : mas ainda? aos 65 perto dos 66 anos e reiterando julgamentos ao largo respondo sim. Fatalmente lembro de Gonzaguinha e o ” eterno aprendiz” e vejo mais que nunca que vou morrer aprendendo a entender este teatro chamado vida. Seja em família com disputas digamos ” camufladas” seja em vida social com a desordem que fica dentro quando a decepção com alguém se materializa . Diferente , creio, do filme eu não escrevo sobre amor. Escrevo sobre a materialidade que impera em meio a ” amizades” que se destroem em segundos após vermos a saída da cena e a personagem real.

Confesso e já o fiz várias vezes em escritos que não vivi e em assim sendo tudo se torna violento à minha mente nublando a alegria conquistada arduamente e espalhada a todos que me rodeiam ou se aproximam.

Os sinos dobram aos experientes em jogo de cintura e aos sabidamente desonestos e descerebrados porque só isto explica a falta de cumprimento de deveres inerentes a confiança depositada .

Na real ou ” de boa” como dizem agora ou por aqui não vejo um horizonte de valores ressurgidos. Vejo ou melhor sinto uma espécie de desânimo quase beirando a depressão em tornar, pelo menos em ” meu ” prazo , vingar honestidade, justiça e integridade de caráter. Isto porque os sinos se dobram sempre aos que comungam todo o inverso disto e os coloca no patamar de deitar com a consciência tranquila de que mais uma vez sua sagacidade e esperteza foram perfeitas dentro do papel desempenhado.

Os sinos não dobram para a alegria a autenticidade a certeza de um dever cumprido que custaram noites insones , dias debruçada sobre livros, dedicação ao próximo . Faltou muita coisa. Na verdade faltou ” de boa” : vida . A que sempre nego a entender e entregar. Faltou malícia. Sobrou benevolência.

Ainda falta muita vida para aprender que dentre e dentro deste teatro eu possa ter sido muitíssimo importante. Sem ele nada teria graça : bobo da corte .

Quando acaba o espetáculo ninguém viu ou vê a dor escondida , o mistério desvendado ou simplesmente a prisão dentro de si mesma.

Sigamos . Aprender agora ao vivo . Sem livros, sem cobranças, sem ganhos .

Esquecer os sinos . Eles dobraram a quem lhe tirou vida . Eles dobraram a atriz que deixou o palco justamente porque buscava a sua essência .

É . Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Só que , no momento, a dor pesa. Mas , sigamos .

Autor: betaniasemh

Professora universitária pela UERJ e médica do Hospital Federal Cardoso Fontes/ Rio de Janeiro duração : 35 anos aposentada 65 anos. Solteira, sem filhos. Viagens, arte, música e escrever são minhas predileções atuais não deixando de forma alguma a medicina agora como um fator de ajuda a necessitados. A paixão por escrever sobre os mais variados assuntos me moveu até aqui.( Ler é vestir a alma, escrever é despi-la) Resido atualmente na região serrana do estado do Espírito Santo na cidade de Santa Teresa colonização italiana e alemã.

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