Mais um adeus

Surpresa com hotelinho agora arrumando as malas , saio ao jardim que se apresenta à porta do quarto em uma combinação simples e super interessante de estilos rústico e peças antigas pinceladas em leilões e vindas da Europa sendo o dono um alemão.

Jardim composto de plantas simples mas que desafiam o fundo da propriedade qual seja o pão de açúcar ou como chamam aqui no Rio ” o pé dele”. Fixo o lugar na pedra lisa , isenta de escarpas e a mesma sensação que sinto ” ao deixar minha casa” se apodera de mim.

Mais uma vez procuro as estrelas com uma certeza infinita de que há muito tempo cuja magnitude já me é difícil mensurar , poderemos voltar ao nosso diálogo. Em as achando esparsas fugidias , escndendo-se envotas em poluição associada a uma temperatura independente de tradução calor e frio, nebuloso. Deitei o olhar ao céu impressionada pela formação rochosa.

A sensação que chega e a transmito as estrelas é de solitude agora . Converso com elas e quando somem ( incontáveis vezes) eu continuo o ” diálogo” com a enorme pedra a minha frente.

Sem ser intencional vem a lembrança de noites sentada na areia da barra completamente perdida, a vida era àquele momento um novelo de lã em ninho de gatos. Não havia um fio a puxar não havia saída, não havia amigos, nada era esperado, ninguém ligaria e sim a solidão doía como se estivesse sendo esmagada por um trator . Voltava para o flat vazio, ninguém notava a profunda tristeza dos olhos , a falta enorme de um colo, um afago , um afeto uma pequena compreensão dentro da imensa incompreensão de mim e da vida.

Tendo recém lido de uma pessoa significante e em maiúsculas : PASSOU, PASSADO a gente esquece , deixa lá.

Eu não respondi . Prefiro fazê-lo às estrelas. Assim, eu disse a elas: meu coração de criança não é só um vulto feliz de mulher! Quem destratou a ilusão não fui eu! Inofensivos amores que não se acomodaram e morreram.

Agora , deixe estar,

Não concordo em ” apagar o passado”

Lhes é extremamente conveniente .

Plagiando Beauvoir : dele eu trouxe a minha cultura , meu corpo mas não vivo em tempos mortos reiterando que desconheço alguém que não olhe atrás e veja um longo caminho percorrido da solidão a solitude.

O vazio dentro do peito cresce a cada minuto. Sigo tentando conte-lo.

Recorro ao cigarro , abandonado há 10 anos

Resolve não.

Sensação de cordão umbilical cortado sem a retirada de células tronco para refazer o bem que se quis.

Mais um adeus

Ando cheia de adeuses. Até o da ” menina mulher”

Dormir e voltar para o desconforto e realismo da teia, do pisar em ovos. Mas tenho de dizer , mais uma vez às estrelas : a tristeza é senhora!

Autor: betaniasemh

Professora universitária pela UERJ e médica do Hospital Federal Cardoso Fontes/ Rio de Janeiro duração : 35 anos aposentada 65 anos. Solteira, sem filhos. Viagens, arte, música e escrever são minhas predileções atuais não deixando de forma alguma a medicina agora como um fator de ajuda a necessitados. A paixão por escrever sobre os mais variados assuntos me moveu até aqui.( Ler é vestir a alma, escrever é despi-la) Resido atualmente na região serrana do estado do Espírito Santo na cidade de Santa Teresa colonização italiana e alemã.

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