Eu nasci há 10000 anos atrás…

O calçamento da praça central foi mantido em suas pedras originais e reconstruída como há séculos resistindo as intempéries a inúmeras guerras e aos ditames de moderno e tecnologia cada vez mais avançada. É encantadora em todos os sentidos. Grand-place foi tombada pela UNESCO como patrimônio da humanidade , merecidamente. Considerado o maior romancista francês a época Victor-Marie Hugo a descreveu em mínimos detalhes a sua família em Paris quando ali se instalou em exílio por ser um ativista político incansável em jornais e contrário ao império “megalomano” de Napoleão III. Ao percorre-la ou a sua imediata visão reconhecemos e conhecemos porque o famoso ensaísta francês dela se apaixonou é porque ali iniciou sua fase mais produtiva . A combinação de solidão, exílio e o esplendor de sua residência com visão total e estonteante da Grand-place nos trouxeram várias obras literárias lindíssimas e imperdíveis a quem a leitura seja um prazer. Creio que ” Os miseráveis” uma crítica inteligentíssima ao estado político da França a época e sabiamente romanceada por ele teve ali seus rascunhos iniciados sendo completada por um novo exílio após para uma ilha onde ficou por 15 anos e onde a punabca de sua maestria em escrever atingiu o clímax. A uma entrada onde agora se destaca uma placa de bronze com seu nome é dizeres ” casa de Victor Hugo’ segue-se um palacete onde arte deco e classicismo se mesclam. Hoje é uma biblioteca onde os amantes da arte escrita se deliciam com sua e outras obras cuja beleza só nos é dada a conhecer e saborear para os versados nesta forma de comunicação imortal: livros. Continuando deparamos com lindas lojas onde são exibidas outra linhagem puramente belga: suas famosas rendas. Quando levantamos nossos olhos ao edifício antiqüíssimo e também belíssimo qual seja a prefeitura de Bruxelas ( Brussels) encontramos o desencontro da porta em bronze envelhecido pelo tempo , intacto, sem um arranhão e o pináculo , um desencontro que se tornou famoso porque ao finalizar a construção( conta-se que) o arquiteto responsável se suicidou por um desencontro concreto sem o concreto mas em pedra e o bronze dos portais . Deveriam ser e estar alinhados mas não estão e tornou-se o motivo do ” suicídio” do arquiteto e objeto de exposição aos turistas que lotam a belíssima Grand-place. Assimilar toda a cultura e escultura de tantos séculos leva tempo, conta história e se torna estória em nós ao estar em Brussels.

Admirando e sorvendo séculos de tanto conhecimento, respeito ao patrimônio público, pessoas de várias nacionalidades e culturas diversas em um chão limpo, sem grafismos por puro respeito a sede aperta e a vontade de um café se faz presente e é pungente dirigimo-nos a um possível habitante local, sem nenhuma certeza de que possa nos entender em inglês e inglês claudicante , perguntando, não sem antes pedir desculpas por não fazê-lo em Francês e muito menos em holandês onde poderia ter uma cafeteria . Cortês o senhor nos responde que não entende o inglês( não havia celular e , óbvio , os agora, inseparáveis e indispensáveis tradutores de quase tudo menos de nossa essência) e partindo a linguagem universal de sinais ( após ouvir algo semelhante ao holandês, dialeto belga, suíço, alemão e sim o Francês) consigo entender que na rua paralela a Grand-place tem ” algum lugar” que pudesse ser o sonhado café . Sem nenhuma pressa passo pelas construções e entro na rua indicada sendo minha atenção logo chamada por um prédio de cerca , creio talvez , 3 andares com uma entrada decorada em suas beiras ( tinha eira também) com lindas flores sendo redondo o teto belíssimo em vitrais multicoloridos mas esteticamente harmônico a cor neutra do prédio bege ou nude agora.

Vários locais em seu interior se revezam em quietude repleto de pessoas lendo ( reitero a inexistência a época do celular) e mesmo as conversas são em tom bastante discreto e uma música suave de violinos preenche o ambiente de puro glamour. A vista de algo escrito em góticas a frente do local procuro saber o nome , creio que o seria e ao ler o nome vejo abaixo a data da construção : 1502. Em respeito ao ambiente logo a seguir eu engulo alí uma enorme gargalhada não acreditando no que estava a frente: 1502 com teto lembrando as galeries francesas ou igrejas que o sejam , vitrais e flores em 1502.

Mas o que dói mais aos 70 a 80 % dos brasileiros foi ter perdido o jogo de futebol de hoje

Respeito muito mas creio que perdemos desde 1502 e sem culpas. Não as temos se fomos ” descobertos” muito mais tarde do que milênios de um país encantador .

Goeienacht!

Autor: betaniasemh

Professora universitária pela UERJ e médica do Hospital Federal Cardoso Fontes/ Rio de Janeiro duração : 35 anos aposentada 65 anos. Solteira, sem filhos. Viagens, arte, música e escrever são minhas predileções atuais não deixando de forma alguma a medicina agora como um fator de ajuda a necessitados. A paixão por escrever sobre os mais variados assuntos me moveu até aqui.( Ler é vestir a alma, escrever é despi-la) Resido atualmente na região serrana do estado do Espírito Santo na cidade de Santa Teresa colonização italiana e alemã.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s