Infância

As calçadas são enormes. Não me lembro de suas medidas. Mas desde muito pequena eu as via como apoio, segurança e sempre um bom local para brincar em segurança. Nelas eu ia apresentar correndo e muito feliz o que papai Noel 🎅 tinha trazido para as amigas . Lembro que eram filhas ou do médico mais procurado da cidade 🌃 ou do comerciante mais abastado . Não , não houve e não há segregação porque se é rico ou pobre, ou inculto ou douto . Sempre prevaleceu a “ mineirice “ em ser: amigo, cordato, sempre com uma prosa “ prá colocar em dia” .

Ficou muito conhecida como a cidade onde em tempos que ninguém ia embora deste país os habitantes de lá foram buscar oportunidades nos EUA. Virou até gozação de todos os cantos deste enorme país quando agora veem , salvo algumas exceções , poucas, como uma única saída para um país sem valores em todos os sentidos.

O grupo escolar , ensino público de qualidade ,nosso encontro . Obediência cega a professora 👩‍🏫 que lembro bem colava ou amarrava uma régua enorme na outra para alcançar nossas cabeças no fundo da sala se nos flagrasse em prosa com os amiguinhos.

Trauma ? Nenhum.

Agradecimento? Imensurável !

As árvores frondosas se espalhavam pela cidade ainda nova para os padrões comparativos das existentes.

Em minhas lembranças fomos “ saídos” de nossos lares umas 5 vezes. Pequena , literalmente no meio de duas gerações diversas entre os filhos, eu sempre observava as reações dos pais e de meu irmão primogênito . Eles não prestavam atenção aos meus olhos e muito

menos ao semblante mas eu os via fazendo contas e elas nunca nos eram favoráveis. Costumo dizer que nestas 5 vezes íamos para as marquises como forma de abrigo porque não havia para onde ir abrigar uma família com 6 filhos e algum tempo depois mais “ adendos”

Nunca ficamos a mercê das marquises . Uma vez que não há peso lá de sobrenomes ou o delicioso poder financeiro , não não é um povo pesado por sobrenome ou dinheiro 💰 que tenham. Pesam ainda lá, por ser Minas não um estado geográfico mas sim um estado de espírito , a cordialidade e a amizade . Em tenra idade eu já sabia que ou ficaríamos na casa do prefeito( parte da família) ou no vizinho ao lado ( o doutor da cidade) e ficávamos o tempo que nos fosse preciso. O bolo era quentinho, o pão 🥖 o fogão de lenha e o sorriso franco, honesto , gostoso de se ver e de se doar.

Governador Valadares é uma cidade encantadora por tudo que representou em nossas vidas, porto seguro para voltar do Rio, berço de meus irmãos menores , de sobrinho, alavanca de onde realizamos os sonhos de nossos pais : não importa o “ governo” que venha ao país vocês têm de estudar e serem sempre profissionais autônomos !

Pois é: não sabemos qual o “ regime governamental” ao momento neste país mas já passamos por ditaduras piores? que a atual , ainda estamos a procura da tal democracia dito ser o melhor regime governamental. Estranho que os países respeitados pelo seu povo não têm este regime. Fica até engraçado teclar: impera o parlamentarismo.

Gov Valadares está lá com seu calor que nos faz refugiar nas sombras de árvores frondosas mas indubitavelmente , não temos dúvida do calor humano mesmo porque ali ou no interior ou entorno pesa muito : quanto mais simples a casinha mais sincero o bom dia!

Meu peixinho: curta bastante a Barbara Heliodora, a Avenida Minas Gerais, e o clube Ilusão ainda existe e o Minas também?

A ilha deliciosa, as revoltas águas do Rio Doce na curva do garfo clube , limparam? E a majestosa pedra única, que proporciona a sombra guardiã de GV, linda , soberana , única ! ?

Pois é de valadolares como foi conhecida não desconfiaram em nenhum segundo que até na “ saída” foi pioneira.

Em mim mora este canto de amor, mãos estendidas, sorriso aberto, franco e a certeza das enormes calçadas cujo piso nos dava a mais absoluta certeza de apoio não importa a que e para quem.

Questão de mineirice sô, bora prosear do jeitim cocê quisé !

Importa não seu jeitim . Apareça qualquer hora com cara de amor!

Meu peixinho aprenda aí viu?

Autor: betaniasemh

Professora universitária pela UERJ e médica do Hospital Federal Cardoso Fontes/ Rio de Janeiro duração : 35 anos aposentada 65 anos. Solteira, sem filhos. Viagens, arte, música e escrever são minhas predileções atuais não deixando de forma alguma a medicina agora como um fator de ajuda a necessitados. A paixão por escrever sobre os mais variados assuntos me moveu até aqui.( Ler é vestir a alma, escrever é despi-la) Resido atualmente na região serrana do estado do Espírito Santo na cidade de Santa Teresa colonização italiana e alemã.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s